Desempenho da economia do estado do Rio de Janeiro em comparação às demais Unidades da Federação e do Brasil no ano de 2024
Em 2024 a economia brasileira ampliou o seu Produto Interno Bruto (PIB) em 3,4%, tendo acelerado o seu crescimento em comparação com o desempenho de 2023, de 3,2%, segundo dados do IBGE. A nível estadual, o PIB é divulgado com quase dois anos de atraso, por meio das Contas Regionais, estando disponível atualmente apenas a informação do ano de 2023, quando o estado do Rio de Janeiro (ERJ) apresentou um incremento de 5,7%, bastante superior ao do conjunto do país.
O Banco Central, de forma a contribuir para a análise conjuntural da economia de cada região do país, criou em 2003 o Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), que analisa o crescimento econômico de 13Unidades Federativas (UF). A partir dele, pode ser feita a análise do desempenho da economia dos estados no ano de 2024.
Nesse ano, em contrapartida ao bom resultado de 2023, o ERJ apresentou o menor crescimento econômico entre as UFs analisadas, com 1,95%, enquanto no conjunto do país houve aumento de 3,8% segundo o IBCR e 3,4% para o PIB segundo o IBGE. Essa diferença ocorre por conta dos diferentes métodos utilizados pelo Banco Central e pelo IBGE para construir estas estatísticas, sendo a do último a considerada oficial.
Mas o que explica esse baixo desempenho do ERJ no ano de 2024? Até a divulgação das Contas Regionais, em novembro de 2026, podem ser feitas inferências a partir dos dados setoriais divulgados pelo IBGE, como a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF). Optamos por não analisar o setor da agropecuária, por ele ter pouca representação na economia do Rio de Janeiro, com cerca de 0,5% do total.
Na indústria, o ERJ apresentou o segundo pior índice entre as 18 Unidades Federativas analisadas, com 0%, a frente apenas do Espírito Santo com -1,6%, e bastante abaixo do crescimento apresentado pelo conjunto do país, de 3,1%.
Para o volume de vendas do comércio varejista, medido através da PMC, o desempenho fluminense também foi baixo, com 1,0% de crescimento, contra 4,1% no cenário nacional.
Já no volume de vendas do setor serviços, medido através da PMS, o setor foi responsável por um desempenho fluminense superior à média nacional, com 3,9%, contra os 3,1% do Brasil.
Aprofundando a análise do desempenho da indústria fluminense em 2024, observa-se que a indústria extrativa apresentou uma queda de -1,8%, sendo a principal responsável pelo fraco crescimento do nosso estado. A indústria de transformação, em contrapartida, cresceu 2,1%, ainda abaixo do cenário nacional de incremento de 3,7%. Os setores com maior crescimento no estado do Rio de Janeiro foram fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (15,7%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (14,0%) e fabricação de máquinas e equipamentos (13,5%). Na outra ponta, a fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos e a confecção de artigos do vestuário e acessórios apresentaram as maiores quedas, 8,9% e 28,8%, respectivamente.
Além disto, podem ser analisados os dados de ocupação, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNAD Continua) do IBGE, e de empregos com carteira assinada, por meio do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo a PNAD Continua, no quarto trimestre de 2024, Pernambuco foi o estado com a maior taxa de desemprego, 10,3%, enquanto o estado do Mato Grosso apresentou a menor, com 2,5%. Já o estado do Rio de Janeiro ocupou a 9ª posição entre as maiores taxas de desemprego, com 8,2%, índice superior ao valor encontrado no conjunto do país, de 6,2%.
A situação de ocupação dos jovens fluminenses, de 18 a 24 anos, era ainda mais preocupante, com 19,8% de taxa de desemprego, a 3ª maior entre as UFs e bastante superior aos 12,8% do cenário brasileiro.
Comparada à situação do último trimestre de 2023, o número de pessoas ocupadas apresentou uma baixa evolução no cenário nacional. O território fluminense cresceu 2,2%, enquanto o país ampliou em 2,8%.
No caso do ERJ, as posições que mais influenciaram o crescimento da ocupação foram, principalmente, os empregadores, com aumento de 13,0% contra 2,9% no Brasil, os empregados do setor público, com 5,7%, e os empregados do setor privado sem carteira assinada, com 5,6%. Em contrapartida, o território fluminense viu seu número de pessoas ocupadas no setor privado com carteira assinada diminuir 0,3% no período.
Quando analisamos a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo CAGED), o resultado do ano de 2024 para o Brasil apresentou um desempenho mediano com uma variação de 3,7% no número de empregos com carteira assinada. O ERJ ocupou a 17° posição em relação às 27 Unidades Federativas, com 3,8%, enquanto os estados que lideraram esse ranking foram Amapá (10,3%), Roraima (8,4%) e Amazonas (6,8%), com isso, a região Norte apresentou uma alta variação de 5,1%.
Analisando os municípios do ERJ, Paracambi, Seropédica (ambos da Baixada Fluminense da região Metropolitana) e Areal (Centro-Sul Fluminense) apresentaram os melhores desempenhos com 20,1%, 20% e 15,7%, respectivamente, enquanto isso, os municípios de Macuco (região Serrana), São João da Barra (Norte Fluminense) e Santa Maria Madalena (região Serrana) apresentaram os piores resultados com a variação do número de empregos com carteira assinada de -44,4%, -12% e -8,5%, respectivamente. Com um desempenho semelhante ao do conjunto do ERJ, a cidade do Rio de Janeiro cresceu 3,9% no período, uma variação pouco superior ao conjunto da região Metropolitana, de 3,8%.
Autores:
Lorena da Silva Salgado (Estagiária)
Luana Fernandes Gervasio (Estagiária)
Sob a supervisão de Henrique Rabelo



