DESLOCAMENTO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO PELO CENSO 2022

ANÁLISE DOS DADOS DE DESLOCAMENTO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SEGUNDO OS RESULTADOS PRELIMINARES DA AMOSTRA DO CENSO DEMOGRÁFICO DE 2022

Esta análise tem como objetivo expor e interpretar dados, coletados pelo Censo Demográfico 2022 e divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sobre deslocamento de pessoas de seus domicílios para seus trabalhos principais no estado do Rio de Janeiro (ERJ). Foram consideradas duas tabelas pertencentes ao Banco de Tabelas Estatísticas do Instituto: a 10330 e a 10331. Ambas abrangem a pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, que, no trabalho principal, trabalhavam fora do domicílio. A primeira, que considera apenas trabalhadores que retornam 3 dias ou mais na semana do trabalho para o domicílio, registrou 5.011.525 ocupados no período analisado pelo Censo, enquanto a segunda, que não possui essa restrição, apresentou um número maior, 5.346.013 no total. A seguir, serão expostos resultados para tempo habitual de deslocamento, local de exercício do trabalho principal, meio de transporte em que passa mais tempo para chegar ao trabalho, sexo, cor ou raça e classes de rendimento nominal mensal domiciliar per capita.

De acordo com a tabela 10330, a categoria de tempo habitual de deslocamento com maior representatividade no total de ocupados foi a dos trabalhadores que afirmaram levar mais de 30 minutos até 1 hora para chegar até seu local de trabalho, com 27,92%, seguida pela faixa de mais de 15 até 30 minutos, com 27,82%. De mais de 1 até 2 horas foram 19,21% dos recenseados, 15,56% de 6 a 15 minutos, 5,76% até 5 minutos, 3,72% mais de 2 até 4 horas e 0,01% mais de 4 horas.

Para resultados regionais, esta análise considerou a razão entre o número de trabalhadores de determinado intervalo de tempo de deslocamento e o total de ocupados de cada região. Sendo assim, o Noroeste fluminense liderou o ranking de maior proporção entre os que levam de 0 a 30 minutos para chegar ao trabalho, com 85,41%, conforme ilustrado no gráfico 1. Além disso, no que diz respeito aos municípios, os 5 maiores percentuais foram dos pertencentes à mesma região, com destaque para os dois primeiros colocados: Aperibé com 94,50% e Miracema com 90,65%. Nos trajetos acima de 1 hora a região Metropolitana figurou na primeira posição, com 28,45% dos ocupados, seguida pelo Norte fluminense com 9,94%, conforme mostra o gráfico 2.  Em nível municipal, os 17 maiores índices para este tempo de deslocamento foram de cidades metropolitanas, sendo as quatro primeiras colocadas:  Japeri (44,98%), Belford Roxo (42,46%), Queimados (39,18%) e Nova Iguaçu (37,75%).

Gráfico 1

Fonte: Censo Demográfico 2022 – IBGE

Gráfico 2

Fonte: Censo Demográfico 2022 – IBGE

Em relação ao local de exercício de trabalho, a maioria (85,76%) dos ocupados do ERJ informou atuar no município em que reside, enquanto o restante em outra cidade. Analisando cada região, separadamente, este cenário se repete em todas elas, com destaque para Costa Verde, que apresentou o maior percentual de pertencentes ao primeiro grupo citado, 95,20%, seguido pelo Norte fluminense com 94,35% e pela região Serrana com 93,85%. As demais registraram índices entre 82,63% e 91,02%.   

Ainda considerando a primeira tabela, o Censo mostrou que, dentre os meios de transporte mais utilizados para se deslocar até o local de trabalho, o ônibus foi o mais citado pelos ocupados do ERJ, com 35,62% das repostas, seguido pelo automóvel com 24,59% e a locomoção a pé com 15,88%. O primeiro também foi o principal mencionado tanto por quem trabalha no mesmo município onde mora quanto por quem atua fora deste, com 32,47% e 54,61% dos apontamentos, respectivamente. Regionalmente o ônibus liderou em: Costa Verde, com proporção igual a 29,62% dos ocupados, Médio Paraíba com 34,12% e Metropolitana com 40,12%. Já no Centro-Sul fluminense a maioria dos trabalhadores, 26,57%, disseram fazer o trajeto a pé, enquanto que nas Baixadas litorâneas, Norte Fluminense e Serrana o automóvel foi o mais citado com 29,60%, 27,30% e 30,94%, respectivamente, enquanto no Noroeste a motocicleta liderou com 31,08%.

No que diz respeito ao transporte público, os dados da tabela 10330 apontaram que, entre todos os trabalhadores do ERJ considerados até aqui, 2.226.610 (44,43%) utilizam um desses veículos como meio de transporte em que passa mais tempo para chegar ao trabalho: ônibus, trem ou metrô, Van, perua ou assemelhados, BRT ou ônibus de trânsito rápido. Deste grupo, o ônibus foi quem apresentou o maior percentual de usuários, com 80,18%, seguido por trem ou metrô com 10,88%, Van, perua ou assemelhados com 4,84% e BRT ou ônibus de trânsito rápido com 4,11%. Além disso, dos que utilizam transporte público, 1.764.713 (79,26%) trabalham no mesmo município de sua residência, enquanto os outros 461.897 (20,74%) atuam fora. 

Analisando a tabela 10331, dentre os 5.346.013 ocupados registrados no ERJ, que trabalhavam fora de seu domicílio, 30,94% afirmaram possuir rendimento nominal mensal domiciliar per capita entre mais de 1 até 2 salários mínimos(s.m.), 29,94% de 1/2 até 1 s.m., 11,48% mais de ¼ a ½ s.m., 10,36% mais de 2 a 3 s.m., 7,76% mais de 3 a 5 s.m., 6,97% mais de 5 s.m. e 2,52% até ¼ s.m.. Separando por tempo de deslocamento, em relação ao total de pessoas ocupadas, 2.575.601 (48,18%) declararam levar de 0 e 30 minutos para chegar ao trabalho, 1.475.432 (27,60%) mais de 30 minutos a 1 hora e 1.294.980 (24,22%) acima de 1 hora. As informações de tempo de deslocamento e rendimento nominal mensal domiciliar per capita podem ser vistas na tabela 1.

Tabela 1Quantidade de pessoas que se deslocam até o trabalho por tempo de deslocamento e classe de rendimento nominal mensal domiciliar per capita

Pessoas que levam de 0 a 30 minutos para chegar ao trabalho
Classe de rendimentoQuantidade de pessoasQuantidade de pessoas (%)
Até 1/4 de salário mínimo66.9462,6
Mais de 1 a 2 salários mínimos785.79230,51
Mais de 1/2 a 1 salário mínimo767.71129,81
Mais de 1/4 a 1/2 salário mínimo292.06611,34
Mais de 2 a 3 salários mínimos265.23010,3
Mais de 3 a 5 salários mínimos203.5567,9
Mais de 5 salários mínimos193.3047,51
Sem rendimento9960,04
Total Geral2.575.601100
Pessoas que levam mais de 1 hora para chegar ao trabalho
Classe de rendimentoQuantidade de pessoasQuantidade de pessoas (%)
Até 1/4 de salário mínimo30.7872,38
Mais de 1 a 2 salários mínimos417.73332,26
Mais de 1/2 a 1 salário mínimo400.00630,89
Mais de 1/4 a 1/2 salário mínimo152.63011,79
Mais de 2 a 3 salários mínimos134.83410,41
Mais de 3 a 5 salários mínimos92.8407,17
Mais de 5 salários mínimos65.6755,07
Sem rendimento4750,04
Total Geral1.294.980100

Fonte: Censo Demográfico 2022 – IBGE

Diante dos dados apresentados, verificou-se que 74,29% dos ocupados do primeiro intervalo de tempo de deslocamento e 77,35% do último possuem rendimentos de até 2 s.m., indicando assim uma maior concentração de trabalhadores com salários mais baixos em trajetos mais demorados.

Ainda sobre rendimento nominal mensal domiciliar per capita, a tabela 10331 mostrou que, em nível municipal, as cidades fluminenses com as maiores proporções de trabalhadores com salários mais altos (acima de 2 s.m.) que levam de 0 a 30 minutos para chegar até o local de trabalho foram: Niterói, com 49,59%, e a capital do estado, com 38,13%. Por outro lado, considerando o mesmo período de deslocamento, São José de Ubá e Comendador Levy Gasparian, com 92,74% e 92,70%, respectivamente, foram os mais representativos nos rendimentos mais baixos (até 2 s.m.). Para trajetos acima de 1 hora, entre os municípios com 20% ou mais de trabalhadores nesta situação, Niterói obteve o maior percentual entre os salários mais elevados, 61,52%, seguido por Maricá com 29,73%. Já entre os rendimentos mais baixos, Japeri, com 93,72 %, e Belford Roxo, com 91,15%, obtiveram os dois resultados mais significativos do ERJ. Vale destacar que Niterói registrou a maior proporção nos rendimentos acima de 5 s.m., com 22,42% do total de ocupados, mantendo a primeira posição em deslocamentos de 0 a 30 minutos (19,71%), e acima de 1 hora (27,42 %).

No âmbito regional, Noroeste e Centro-Sul apresentaram os maiores índices de ocupados com rendimentos nominais mensais domiciliares per capita de até 2 s.m. que levam de 0 a 30 minutos para se deslocar até o local de trabalho, em relação ao total de pessoas ocupadas neste intervalo em cada região: 84,42% e 83,24%, respectivamente. Considerando o mesmo período de deslocamento, a região Metropolitana, com 28,71%, e o Norte fluminense, com 24,51%, obtiveram os maiores percentuais de pessoas com rendimentos acima de 2 s.m.. Em deslocamentos superiores a 1 hora, Norte fluminense, com 80,43%, e Médio Paraíba, com 79,41%, obtiveram maior representatividade na faixa salarial mais baixa, enquanto, na mais alta, Baixadas Litorâneas e Serrana apresentaram as maiores proporções, 27,07% e 24,55%, respectivamente.

No que diz respeito à cor ou raça, os resultados da tabela 10331 apontaram que, entre todos os ocupados que se deslocam até o local de trabalho, 41,32% são autodeclarados brancos, 40,40% pardos, 18,03% pretos, 0,13% amarelos e 0,11% indígenas. As divisões por tempo de deslocamento podem ser vistas na tabela 2.

Tabela 2 – Quantidade de pessoas que se deslocam até o trabalho por tempo de deslocamento e cor ou raça

Pessoas que levam de 0 a 30 minutos para chegar ao trabalho
Cor ou raçaQuantidade de pessoasQuantidade de pessoas (%)
Amarela3.7860,15
Branca1.125.61243,70
Indígena2.9670,12
Parda1.019.76939,59
Preta423.46716,44
Total Geral2.575.601100
Pessoas que levam mais de 1 hora para chegar ao trabalho
Cor ou raçaQuantidade de pessoasQuantidade de pessoas (%)
Amarela1.3950,11
Branca476.09636,76
Indígena1.6340,13
Parda546.54042,20
Preta269.31520,80
Total Geral1.294.980100

                                                                                               Fonte: Censo Demográfico 2022 – IBGE

Os dados acima indicam maior concentração de pretos e pardos em trajetos mais demorados. Este grupo representa 63,00% dos ocupados que levam mais de 1 hora para chegar ao trabalho, contra 56,03% dos que levam de 0 a 30 minutos.  

No âmbito municipal, Nova Friburgo e São José do Vale do Rio Preto apresentaram as maiores proporções de brancos no total de ocupados que levam de 0 a 30 minutos para se deslocarem até o trabalho, 67,22% e 66,76%, respectivamente. Em contrapartida, Japeri, com 75,59%, e Belford Roxo, com 73,10%, obtiveram os maiores percentuais de não-brancos (pardos, pretos, amarelos e indígenas). Para deslocamentos acima de 1 hora, entre os municípios com 20% ou mais de trabalhadores nesta situação, Niterói obteve o maior índice de brancos, 58,44%,  seguido por Maricá com 42,52%.  Por sua vez, Japeri e Queimados, com 75,77% e 75,12%, respectivamente, apresentaram as maiores proporções de não-brancos.

Em nível regional, comparada às demais, a região Serrana apresentou o maior percentual de brancos entre os ocupados com deslocamentos de até 30 minutos, 61,30%, seguida pelo Noroeste fluminense com 46,29%. Por outro lado, Baixadas Litorâneas, com 60,00%, e região Metropolitana, com 57,77%, obtiveram as maiores proporções de não-brancos. Em deslocamentos acima de 1 hora, Serrana e Noroeste também lideraram na quantidade de brancos, com 57,48% e 47,42%, respectivamente, enquanto Norte fluminense, com 64,28%, e Metropolitana, com 63,88%, na de não-brancos.

Além disso, foi possível verificar, no conjunto do ERJ, um menor rendimento nominal mensal domiciliar per capita por parte dos não-brancos comparado aos brancos. Dentre os ocupados que se deslocam, 4.005.047 (74,92%) apresentaram rendimentos de até 2 salários mínimos, dos quais 44,44% pardos, 34,92% brancos, 20,44% pretos, 0,11% indígenas e 0,09% amarelos. Já entre os 1.340.966 (25,08%) com rendimentos acima de 2 salários mínimos, o percentual de brancos foi de 60,43%, contra 28,34% de pardos, 10,83% pretos, 0,28% amarelos e 0,13% indígenas.  As divisões por tempo de deslocamento podem ser vistas na tabela 3.

Tabela 3Quantidade de pessoas que se deslocam até o trabalho por tempo de deslocamento, cor ou raça e classe de rendimento nominal mensal domiciliar per capita

Pessoas que levam de 0 a 30 minutos para chegar ao trabalho
Cor ou raçaQuantidade de pessoas com rendimentos acima de 2 s.m.(%)Quantidade de pessoas com rendimentos abaixo de 2 s.m.(%)
Amarela1.8400,281.9460,10
Branca416.53662,91709.07637,06
Indígena8050,122.1620,11
Parda181.32327,39838.44643,82
Preta61.5869,30361.88118,91
Total Geral662.0901001.913.511100
Pessoas que levam mais de 1 hora para chegar ao trabalho
Cor ou raçaQuantidade de pessoas com rendimento acima de 2 s.m(%)Quantidade de pessoas com rendimento abaixo de 2 s.m(%)
Amarela6850,237100,07
Branca158.71954,11317.37731,69
Indígena3950,131.2390,12
Parda92.23331,44454.30745,36
Preta41.31714,08227.99822,76
Total Geral293.3491001.001.631100

Fonte: Censo Demográfico 2022 – IBGE

Tratando-se do sexo dos ocupados no estado do Rio de Janeiro, prevaleceu o número de homens comparado ao de mulheres. Foram registrados 3.038.853 (56,84%) trabalhadores do sexo masculino contra 2.307.160 (43,16%) do feminino.

Em nível municipal, Niterói apresentou o maior percentual de trabalhadoras em relação ao total de ocupados que se deslocam, 46,11%, seguido pela capital do estado com 45,26%. Em contrapartida, São João da Barra registrou 35,44%, a menor proporção entre os municípios do território fluminense, o que pode ser explicado pela predominância de empregos masculinos no Porto do Açu, principal polo econômico do local. Separando por tempo de deslocamento, Rio Claro e Quatis obtiveram os maiores índices de mulheres entre os que levam de 0 a 30 minutos para chegar ao local de trabalho, 48,50% e 47,41%, respectivamente. Por outro lado, considerando municípios com 20% ou mais de trabalhadores com deslocamentos acima de 1 hora, Niterói ocupou a primeira posição, com 46,72%, seguido por São Gonçalo com 45,00%.
                Regionalmente, para o menor tempo de deslocamento, o Médio Paraíba apresentou a maior proporção de trabalhadoras em relação ao total de ocupados nesse intervalo, 45,14%, seguida pela Serrana com 44,29%. Costa Verde, por sua vez, obteve o menor índice, 41,99%. Já para deslocamentos acima de 1 hora, a região Metropolitana, com 43,69%, e a Serrana, com 38,19%, obtiveram os percentuais mais altos.

Autores:
Lorena da Silva Salgado (Estagiária)
Luana Fernandes Gervasio (Estagiária)
Sob a supervisão de Henrique Rabelo

10 dezembro, 2025
23:29